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Grandes histórias

Grandes histórias

 

Desnecessário dizer que houve vários períodos gloriosos na história da literatura. Seria exaustivo mencionar, aqui, os exemplos. De qualquer forma, vocês precisam saber que muitos estudiosos apontam o século XIX como algo prodigioso. Nunca algumas décadas reuniram tantos escritores e escritoras de primeira linha: Balzac, Stendhal, Flaubert, Dickens, Zola, Eça de Queiroz, George Eliot, Jane Austen, Emily Dickinson, Tolstói, Dostoiévski, Machado de Assis...

Também há quem diga que o século XIX foi o século de ouro do romance. Difícil contestar uma afirmação dessas. Especialmente a partir de 1850, o romance teve a missão de, ao mesmo tempo, entreter seus leitores e leitoras e aprofundar seu conhecimento de mundo. Foi uma época recheada de polêmicas livrescas. Um romance de Dickens, por exemplo, era capaz de mobilizar as paixões da opinião pública. Muitas reformas sociais surgiram do calor das páginas de Charles Dickens.

Imaginem agora se pudéssemos viajar até as últimas décadas do século XIX. Imaginem que conseguimos entrar na casa de uma família de classe média. Qual seria a diversão predileta dos membros adultos dessa família? Provavelmente a leitura de romances gordos. No almoço e no jantar, chance alta de ouvirmos conversas sobre impressões de leitura.

Claro que, de lá para cá, tudo mudou. O romance perdeu seu papel central; outras formas de se contar uma história foram surgindo. Não é questão de achar isso bom ou ruim: as coisas são como são.

Só que sou um sujeito inquieto, e passei os últimos dias pensando a respeito de algo que tenho observado nas aulas que ministro aqui na escola: vários alunos e alunas são profundos conhecedores de séries de televisão ou de internet. São narrativas longas, desdobradas em vários episódios, cobrindo um grande arco de tempo, povoadas por dezenas de personagens. Ora, o romance típico da segunda metade do século XIX também tinha essa configuração. Mais ainda: noto que essas séries têm servido de fonte de informação e conhecimento. Muitos posicionamentos críticos surgem a partir dessas histórias.

Sou professor de literatura. Passo boa parte do meu tempo livre mergulhado em romanções. O clichê diria que eu abomino as séries, certo? Errado. Não abomino as séries. Muito pelo contrário. "Família Soprano", "Mad Men", "The Wire", "Breaking Bad" e "Better Call Saul" são obras maravilhosas. Minha visão é conciliadora: é possível, sim, devorar as séries e os romanções.

Lanço o desafio: os fanáticos pelas séries de hoje são os leitores do século XIX?

 

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