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Comida

Comida

 

Certamente você conhece a expressão "devorar um livro". Ela é correta? Acho que sim. Leitura pode ser alimentação. Não percamos a comparação de vista.

Uma das marcas do nosso tempo é a preocupação com a alimentação saudável. Pipocam por aí programas de televisão que mostram como preparar um prato apetitoso a partir de ingredientes benéficos. As prateleiras dos supermercados apresentam produtos dos mais sofisticados. Algumas redes de "fast-food" ampliaram as opções de seus cardápios, oferecendo saladas, sucos e sanduíches com menos calorias. Impossível pensar numa coisa dessas nos anos 80, por exemplo.

Se constatamos que a alimentação, em sua acepção tradicional, vem sendo objeto de nossas inquietações, o que dizer da alimentação num sentido mais metafórico? Somos tão zelosos assim em relação aos alimentos do espírito? Bem que eu gostaria de dar uma resposta otimista. Sendo bem franco, acho que olhamos muito para o corpo e pouco para a alma. Ficamos horrorizados quando encontramos alguém que come muita fritura, mas achamos a coisa mais natural deste mundo toparmos com alguém que vive de porcarias culturais.

Sei que estou entrando em território perigoso. Por exemplo, este texto que você está lendo corre o risco de ser interpretado como algo pedante. Como se eu considerasse lixo tudo aquilo que não é clássico ou erudito. Quero desfazer esse possível erro de interpretação. Sou apaixonado por jazz e sei muito bem que ele é, fundamentalmente, música popular. Leio Balzac e consigo reconhecer que suas páginas devem muito às narrativas de folhetim. A literatura de cordel, em seus melhores momentos, é de uma riqueza assombrosa. Não teríamos Guimarães Rosa se tudo fosse muito bem separadinho. Paro por aqui com os exemplos. O que importa é deixar bem claro que o meu critério de qualidade não tem a ver com origem popular ou origem aristocrática de uma obra.

Tem a ver, isso sim, com a maneira como essa obra mexe comigo: ela pode causar indignação, pode afetar minhas convicções, pode alegrar meus dias, pode explicar algo que eu nem imaginava existir; enfim, pode um monte de coisas. Só não pode ser algo que me deixe indiferente. Entramos na água e esperamos sair dela molhados, não? É pedir muito? Eu quero um alimento que me sustente, ora!

No próximo texto, quero mostrar como os romanções não são apenas uma baita diversão. Tentarei explicar que, nos dias que correm, ler um romanção é um ato de resistência.

Até mais.

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