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A sublime modéstia

Certamente vocês já ouviram a expressão "matar um leão por dia". Concordam que os leões são de vários tipos? Creio que sim. Seria cansativo enumerá-los. De qualquer modo, quero me deter um pouco num desses leões: a ideia pronta. Ideia pronta, clichê, chavão: são vários os nomes da fera. E são várias as situações nas quais somos atormentados por ela.

Longe de mim julgar-me sábio. Sou pouco versátil. Sou uma nulidade em vários assuntos. Para mim, a tarefa de trocar o pneu do carro é das mais ásperas. Vira e mexe, meus cadarços estão desamarrados. Trato, portanto, do que entendo um pouco: literatura. Explicando melhor: quero tratar, aqui, da relação entre ideia pronta e literatura.

Adianto que o terreno é fértil. Há precipitação quando nos referimos aos clássicos, aos best-sellers, à poesia, ao romance, ao conto, ao teatro. Puxa vida, quanta ponta para puxar! Entendam: para este texto ter um mínimo de organização, necessário que eu escolha um caminho. Já escolhi: a crença de que a boa literatura é séria, sisuda, sempre de cara amarrada.

Belo exemplo de ideia pronta. E é fácil desarmá-la. Vários dos melhores textos literários são impregnados de humor. Basta pensar nos seguintes casos: "Dom Quixote", de Cervantes; "Os contos da Cantuária", de Geoffrey Chaucer; "Gargântua e Pantagruel", de François Rabelais; boa parte da obra de Machado de Assis; vários dos poemas de Oswald de Andrade. Vejam bem, deixei de lado vários outros casos. Fiquemos com isto: literatura e humor formam um belo casal.

A ideia pronta de que humor e literatura não combinam é irmã de um outro flagelo: o clichê de que os bons textos são difíceis. Cuidado, minha gente: acreditar nisso é atraso de vida. Se assim o fizermos, perderemos chances preciosas. A vida fica melhor na companhia de Homero, Cervantes, Tolstói, Shalespeare e Graciliano Ramos. Do ponto de vista estilístico, eu realmente não consigo achar que esses gigantes são mais difíceis que muitos dos livros que vendem horrores atualmente. Talvez muita gente deixe de lado os clássicos por um triste motivo: o medo. Ora, vocês sabem que coragem e tenacidade nos ajudam bastante na hora em que a onça bebe água.

Coloquei um ponto final no parágrafo acima e notei que as coisas que disse estão um tanto vagas. Sejamos práticos: várias das crônicas escritas no Brasil nas décadas de 30, 40, 50 e 60 ilustram muito bem o que estou querendo dizer. São literatura de primeira grandeza; são cristalinas; quase sempre carregam a nobre carga do humor. Mais não podemos exigir.

Recomendo, ardentemente, uma rodada de leitura que contemple os seguintes autores: Rubem Braga (o maior de todos os cronistas); Carlos Drummond de Andrade (ouso dizer que o Drummond prosador é tão grande quanto o Drummond poeta; Manuel Bandeira (a simplicidade vinda do trabalho árduo também aparece nas crônicas); Paulo Mendes Campos (reparem como ele consegue ver o lado poético nas coisas mais comuns); Fernando Sabino (uma aula de estilo: a junção entre elegância e descontração); Stanislaw Ponte Preta (ele nos ensina que o riso é fundamental); Otto Lara Resende (textos curtíssimos que exalam sabedoria).

Carrego poucas certezas nesta vida. Divido com vocês uma delas: a leitura dos cronistas brasileiros nos torna melhores. O trânsito fica menos complicado. As discussões perdem um pouco da sua gravidade. As reuniões ficam menos cansativas e se tornam um belo campo de observações. E por aí vai.

A cultura é nossa aliada.

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